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Rosa & Romances

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Atalaia 4 - [capitulo 13]

 

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O primeiro colega que encontraram foi Pedro Dias, que estava estendido no sofá a ver televisão.

-Então Pedro… só boa vida. – Comentou Miguel, dando uma palmada no joelho do rapaz.

-Ah! Já estás mais satisfeito? – Pedro piscou-lhe um olho.

-Porquê? Ele chegou indisposto? – Perguntou Lena com curiosidade.

-Cansado. Não é Lena? Seis horas de viagem… é dose! – Informou Miguel.

-Ah! Ele vinha era louquinho para te pôr a vista em cima. Nem trazia luz nos olhos!

-Cala-te meu pateta! – Exigiu Miguel. – Para pôr a vista em cima da praia…

-Sim, sim, engana-me que eu gosto. Se não fosse saber que a menina está noivinha ainda acreditava noutro consórcio.

Maria Madalena recordou-se com azedume do seu compromisso. Um compromisso que parecia longe mas estava cada dia mais próximo.

-Chega de balelas, ó meu chanfrado…Onde está o resto da malta.

-As restantes mulheres da casa foram às compras. – Informou Pedro.

-E tu ainda foste à praia? – Questionou Lena.

-Sim…cheguei há pouco.

-E ficaste lá sozinho? – Questionou outra vez Maria Madalena.

-Estou de olho numa gaja muito sexy…tenho que aproveitar, quando estou só, para me exibir! – Gracejou Pedro.

Os amigos abanaram a cabeça e lançaram uma careta de troça.

-E vocês vão sair? – Perguntou ainda o rapaz.

-Miguel quer ir até à praia. – Lançou Lena em jeito de comentário.

-Vai que a água está um espectáculo. – Incentivou Pedro. – Mas não te esqueças que hoje o jantar é em tua honra, pelo menos foi isso que a sargenta Mónica garantiu.

-Ai é? Convidado VIP… muito bem. – Explanou Miguel.

-Vê lá não te armes…que eu tenho sido aqui o rei da casa e sinto-me muito bem nesse papel.

-Abundância de miúdas giras…anh! – Gracejou Miguel.

-Lindas!

-Vocês são uns convencidos. Homens…ó raça! – Disse Maria Madalena, enquanto se dirigia ao frigorífico e tirava um iogurte líquido.

-Vamos Lena… deixemos o Pedro a tecer redes de pesca.

-Amanhã mostro-te como me estou a safar.

-Estou doido para ver. – Lançou Miguel

-Não se atrasem que eu esfaimo muito rapidamente.

-Está bem. – Ainda respondeu Maria Madalena, seguindo Miguel que já a aguardava à porta de saída.

 

O caminho até à praia foi feito de mãos dadas. Houve apenas entre os dois conversas de circunstância e comentários sem interesse. Parece que um e outro queriam apagar da sua memória o que estava para trás e que apenas só contasse o momento presente.

Quando os pés já descalços pisaram a areia morna da praia puderam constatar que a maior parte do espaço era deles.

Caminharam à beira-mar, deixando a água beijar-lhe os pés, ir e voltar como uma carícia vezes sem conta repetida.

Ainda levaria algum tempo até que o ocaso do sol acontecesse. No horizonte silhuetas de barcos e voos de gaivotas.

-Sentamo-nos um pouco? – Sugeriu Miguel.

A rapariga consentiu e ele levou-a até onde a areia estava mais seca. Acomodaram-se.

-Vês esta concha? – Mostrou Miguel. – Foi criada para guardar um mistério.

-Um molusco, queres tu dizer! – Adiantou a rapariga troçando.

-Não… tens que ter a capacidade de ver para além do físico e do material. Enquanto cofre seguro saberá guardar um supremo bem: o da vida. Mas nem sempre o bem que se protege se consegue manter seguro, ou porque tem vontade própria ou porque segue os ditames da vida. Vai um dia aventura-se, expõe-se e fica à mercê. Num momento de infortúnio é surpreendido pelo inevitável, sacudido pelas forças adversas e definitivamente sugado por vorazes predadores.

-Todo esse tratado filosófico por causa de uma simples concha. Mais triste é vê-la tão só, qual coração partido, reclamando a outra metade querida. – Disse Maria Madalena enquanto se estendia na areia e colocava a cabeça sobre o colo do rapaz.

Miguel afagou-lhe os cabelos e brincou com a ponta do seu nariz. A rapariga olhava-o e via através dele o azul sereno do céu.

-Estás confortável? – Perguntou Miguel, contornando-lhe as linhas do rosto com as pontas dos dedos.

-Muito. – Respondeu Lena com letargia. – Se fosse possível manter-me-ia assim eternamente.

-E quem te impede? – Parafraseou Miguel.

-Provavelmente eu própria.

-Ás vezes somos nós os nossos maiores inimigos. – Lançou o rapaz em jeito de desabafo.

A rapariga, procurando evitar que Miguel quisesse abordar assuntos incómodos, questionou:

-Então conta lá, como avisaste a Mónica da tua chegada?

-Telefonei-lhe!

-Quando e para onde? – Frisou Maria Madalena.

-Ontem, já noite adiantada. – Informou Miguel, perdendo o olhar na imensidão do mar.

-Ela não me contou. – Reclamou.

-Quis fazer-te uma surpresa. – Garantiu o rapaz.

-Fiquei maravilhada. – Maria Madalena fixou Miguel olhos nos olhos.

-Eu também. – O rapaz respondeu num sussurro.

Maria Madalena abandonou-se aquela empatia. Aquele momento era seu, ninguém lho poderia roubar.

-Acreditas que estou a ver o Stor Sérgio? – Proferiu Miguel como uma sentença.

O coração de Lena disparou e a sua primeira reacção foi ocultar-se, esconder-se, refugiar-se no colo protector do rapaz.

-Então que é isso? Medo do lobo mau? – Riu-se o amigo, enquanto a estreitava mais contra si.

A rapariga receou que Miguel suspeitasse do seu relacionamento com Sérgio e procurou recompor-se, enfrentando o assunto.

-É provável. Ele está por perto. – A sua voz soou embaraçada.

-Em sua casa de Vilamoura. – Afirmou o rapaz sem qualquer perturbação.

-Como sabes? – Interrogou Lena com espanto.

-Então…se todos vós pernoitaram lá esta noite!

-Sim…é um facto! Depois de aceitarmos um convite para jantar, fez-se tarde…

-Fez-se tarde…Pedro bebeu demais, as meninas foram para a disco, etc, etc. – Comentou Miguel com indiferença.

Lena começava a acreditar que Miguel sabia para além do justificável.

-Falas como se estivesses lá estado. – Comentou Lena

Miguel esboçou um sorriso.

-Vamos! – Disse resoluto. – Até aquela duna, apreciar o pôr-do-sol.

Lena não queria expor-se. Ainda mais sabendo que Sérgio andava por perto. “Veio de certo reclamar a presa” – Pensou.

Miguel ergueu-se e ajudou a rapariga a levantar-se, amparando-a nos braços.

Seguiram muito juntos até ao local escolhido. A praia estava agora a ficar deserta.

Lena procurava em cada recanto a presença indesejada de Sérgio mas nada via que a denotasse.

-Vamos aquele bar comprar um refrigerante ou uma água fresca. – Sugeriu Miguel.

Lena amiudou os clientes do bar, cerca de quatro ou cinco. E se um deles fosse Sérgio?

-Vai tu…eu fico aqui a marcar lugar. – Brincou.

-Ok! -Concordou o rapaz. – Compro-te um refrigerante.

-Traz-me antes uma água.

Miguel afastou-se em direcção ao bar e Maria Madalena manteve-se sentada, visualizando o sol a esconder-se. Semicerrou os olhos e deixou-se embalar pelo cantar das ondas.

-Este lugar está reservado?

Constatar a presença real de Sérgio foi um verdadeiro tormento.

A rapariga abriu os olhos e viu a figura alta e máscula ocultando o pôr-do-sol.

-Estou acompanhada! – Informou Maria Madalena com firmeza.

-Pelo inocente Miguel? Já tive a oportunidade de o comprovar!

-Então…queira desculpar mas agradecia que continuasse desocupado o lugar ao lado do meu.

Em resposta o homem sentou-se no preciso alto de areia, que a duna fazia.

Maria Madalena contrariou-se e mostrou intenções de se levantar.

O homem segurou-a pelo ombro, exercendo sobre ele uma pressão que a obrigou a manter-se no mesmo lugar.

-O que é prometido é devido. Este passeio ao entardecer pertence-me! – Sentenciou. – Não deixarei que nenhum badameco se interponha entre nós.

A rapariga enfrentou-o:

-Digo-lhe…nada me fará abdicar deste momento. Miguel é um amigo muito querido, devo-lhe a minha atenção!

-Atenção?!… não será antes interesse! Que pensas que esse frouxo te pode dar? Nada! É um incapaz!

Lena começava a ficar seriamente irritada com a grosseria de Sérgio.

-Queira controlar-se. Eu não sou propriedade sua e nada lhe devo! Agora se faz favor, ausente-se…

Sérgio olhou na direcção do bar e viu que Miguel já estava servido.

-Ausento-me por agora mas…veremos se esse inútil terá coragem de medir forças comigo!

Maria Madalena exasperou. Em que aberração Sérgio se tinha tornado!

O homem levantou-se e desapareceu por detrás da duna, o mesmo lugar de onde tinha surgido.

A rapariga procurou Miguel e tranquilizou-se ao vê-lo encaminhar-se para ela.

-Água fresca. – Indicou o rapaz quando chegou, oferecendo-a à rapariga. – Queres que a abra? – Perguntou com gentileza.

Ela sorriu e ele retirou a tampa da garrafa. Lena esticou a mão para a apanhar.

-Espera! Deixa-me dar o primeiro gole.

Maria Madalena estranhou mas não se incomodou.

Miguel deu um gole, outro e depois outro.

-Ó meu doido então…a água não é para mim! – Retaliou a rapariga.

-Calma. Deixa-te estar que primeiro que bebas vou…baptizar-te!

Maria Madalena soltou uma divertida gargalhada.

-Para tua informação já sou baptizada, comungada e crismada!

-Por mim não! – Disse o rapaz com seriedade. Depois deitou um pouco de água sobre a mão em concha e espalhou-a sobre a cabeça da rapariga. Em seguida segurou-lhe o rosto entre as duas mãos e ordenou:

-Olha-me nos olhos. Bem dentro deles.

Maria Madalena satisfez o pedido e fixou com profundeza o olhar de Miguel.

De imediato todos os males do mundo pareciam ter desaparecido. Todos os medos tinham deixado de existir, todas as misérias humanas haviam sido banidas! Se algum sentimento se podia apelidar de felicidade, paz ou concórdia só podia ser aquele que, naquele preciso instante, partilhava com Miguel.

A intensidade das emoções era tão forte que segundos depois diria que nos olhos do jovem dançavam figuras imperceptíveis e raiavam imagens, tal qual flashes, reproduzindo-se e expirando a uma velocidade irrefreável. A rapariga queria manter a sua racionalidade, procurando respostas plausíveis para as sensações que a assolavam. Mantinha-se presa aos olhos de Miguel, levitando e pairando acima do inteligível e sentia que perdera o controlo sobre si e que estava prestes a perder a consciência. Em vez de se alarmar, continuou envolta numa doce e serena paz. Abandonou-se e mentalmente evadiu-se. Ainda sentiu o amparo dos braços de Miguel, depois mais nada.

 

A pressão que experimentava no peito, só a incomodava porque a trazia de volta á realidade. O rumorejar das ondas e o bater da água embalavam-na docemente e experimentava na boca o sabor amargo do sal.

Um rumor abafado chegava-lhe ao ouvido

-Está consumado o sacramento! Falta apenas iniciar-te na procura da luz…

Foram novamente os braços de Miguel que a ampararam e a retiraram do mar.

A rapariga deixou-se levar. Ele sentou-se na areia da duna, com ela no regaço e aconchegou-a com meiguice.

-Abre os olhos lentamente, está na hora de assistir ao pôr-do-sol!

Maria Madalena obedeceu e viu surgir um espectáculo exuberante. Uma bola de fogo produzindo uma explosão magnífica de cores.

Prendeu a visão à luz derradeira do sol, encostou a cabeça ao peito de Miguel e relaxou.

-Um dia… assistiremos juntos ao nascer da estrela. – Disse-lhe o rapaz com suavidade. – Agora regressemos que se aproxima o crepúsculo.

 

Maria Madalena fez um esforço para se levantar, parecendo-lhe a ela que tinha passado uma eternidade. As suas roupas, embora leves e frescas, tinham secado num instante e as sensações que tinha vivido, estavam a apagar-se da sua memória.

-Sinto-me ainda um pouco tonta! – Lançou a título de desabafo.

Miguel apoiou-a:

-Também eu me assustei!

-Sim e porquê?

-Pareceu-me uma brincadeira de mau gosto não ter avaliado que a água quase gelada sobre a tua cabeça a escaldar poderia provocar-te um choque térmico violento. – Disse o rapaz com convicção.

-Sim. Recordo-me de quereres baptizar-me. – Lena sorriu.

-É. Não medi as consequências e por instantes perdeste a consciência.

-Verdade. Mas nada receei, nem entrei em pânico. – Garantiu a rapariga.

Miguel ficou em silêncio para depois mudar de assunto.

-Vamos…de certo já nos aguardam para jantar.

Lena, perfeitamente restabelecida, encaminhou-se de braço dado com Miguel.

-Porque me levaste para o mar!

-Estava indeciso com o que deveria fazer. Às vezes são necessárias medidas drásticas. Em poucos segundos estavas a recuperar a consciência.

-É. Devo estar fraca.

-Eu estou aqui para te fortalecer. – Sorriu o rapaz apertando-a contra ele.

-É preciso eu comer bastante? – Questionou Lena a gracejar.

-Um certo tipo de alimento sim.

-Ok. Estou esfaimada.

-E eu também. Perdi imensas energias!

-A carregar comigo? – Brincou novamente a rapariga.

-Claro. Estás a ficar pesadinha. – Censurou Miguel amiudando as formas de Lena.

-Mentiroso. Tenho tudo no lugar certo. – E a rapariga fez querença de se exibir.

-Tudo nas devidas proporções. – Embebeu-se o rapaz.

-Onde dormes? – Quis Maria Madalena saber.

-Desconheço mas tenho a certeza que é Mónica quem o vai decidir.

-Também me parece. – Assentou Lena. – É ela quem tem gerido estas férias. Não tem outras ocupações.

-Ela acha que tem bastantes.

-Devia arranjar um namorado. Gabriel era a pessoa ideal!

Miguel pareceu constranger-se quando ouviu o nome do irmão.

-Que dizes? Isso é um absurdo!

-Porquê? O teu irmão é um jovem muito bem-parecido e eles parecem entender-se.

-Não. Gabriel é um ser muito complexo!

-Sim complexo, estranho, alucinado…aliás características comuns aos três! – Determinou Lena.

-Que sabes tu…minha tontinha? – Miguel roçou os seus lábios pelos cabelos da rapariga.

-Sei umas coisas.

-Tais como?

-Que me fazes feliz. – A rapariga semicerrou os olhos com ternura.

O rapaz já não respondeu. Acabavam de deixar a tranquilidade da praia e entravam nas ruas movimentadas de Albufeira. Calcorrearam-nas unidos, separando-se apenas à entrada de casa.

A azáfama do jantar era bem visível e até Pedro Dias andava em refrega.

-Malta…estamos de volta! – Anunciou Lena.

-E já não era sem tempo… - Foi o desabafo de Pedro.

Miguel sorriu-se e o rapaz chamou-o:

-Está na hora de entrares ao serviço. Vá…substitui-me.

-Eu? Mas eu não sou o convidado de honra? – Riu-se Miguel. – Tenho que tomar um duche e vestir-me de acordo com a ocasião.

-Olha as mordomias…estava eu a viver uma vida de sonho, qual sultão no meu harém e surge vossa majestade para me destronar. Pois saiba que o desafio para um duelo! – E o rapaz voltou-se na direcção de Miguel com a colher em punho.

Maria Madalena interrompeu o gracejo:

-E Magda?

Mónica incomodou-se mas foi Adília quem respondeu.

-Quando fomos às compras, encontrou-se casualmente com o prof., ele convidou-a para lanchar e…até agora!

Maria Madalena alarmou-se, embora procurasse disfarçar a agitação.

Mónica e Miguel entreolharam-se.

-Essa gatinha…onde lança as garras, prende! – Comentou Pedro sem grande interesse na questão.

-Amiga Mónica, onde posso purificar-me! – Interrompeu Miguel, questionando a amiga.

-Enquanto não reorganizarmos o espaço, podes tomar banho na nossa “suite”.

-Eu também necessito de um duche, estou coberta de sal. – Comentou Maria Madalena.

Mónica apreciou-a.

-Não tomem é banho juntos! Que a casa pode explodir tal a tensão acumulada que Miguel revela em cada poro. – Gracejou mais uma vez Pedro Dias.

O amigo foi junto dele e fez menção de lhe apertar os colarinhos.

-Continuas a dizer baboseiras e vou-te chegar a roupa ao pêlo.

-Vá…se és homem! – Empeitou-o Pedro. Depois quase em surdina. – Estás pelo beicinho.

Miguel mostrou-se levemente contrariado e Mónica apressou o final da brincadeira.

-Miguel se queres… podes seguir já.

-Sim. – Concordou o rapaz.

-E apressa-te que estou cheia de comichão. – Ordenou Lena vendo-o desaparecer da cozinha.

Maria Madalena dirigiu-se a Mónica que tratava de um assado no forno.

-Vou-te ajudar. – Disse.

-Não é necessário. Está tudo pronto. É só vocês os dois se despacharem.

Maria Madalena segurou a mão da amiga e comentou num sussurro:

-Magda vai-me dar chatices.

-Azares…! – Proferiu Mónica em jeito de desabafo!

-Vou chamá-la à varinha… - Determinou-se Lena, sem esperar o consenso de Mónica.

A amiga resmungou:

-Nem que fosse de condão…terias sorte!

-Alguém está a usar a outra sala de banho? – Perguntou Lena no meio da cozinha.

-Era eu…mas já terminei. - Informou Sara, entrando na cozinha mesmo acabadinha de sair do duche.

-Posso? – Questionou Lena.

-Claro. – Se quiseres serve-te do champô e do gel de duche.

-Ok! Obrigado. Podes-me emprestar também um lençol de banho?

-Sim. – Consentiu a rapariga voltando ao quarto e trazendo uma toalha de banho que estendeu a Lena.

Depois desapareceu na cozinha e Lena encaminhou-se para a sala de banho. Recordou-se então que nada tinha para vestir. Ao fundo do corredor que distribuía os quartos era a suite. Bateu à porta com o nó dos dedos e como ninguém lhe respondeu, abriu-a e entrou. Escutava ainda o som da água a cair do chuveiro. Miguel ainda se encontrava no duche. A rapariga dirigiu-se ao compartimento do roupeiro onde tinha as suas roupas e escolheu um vestido leve e solto, apanhando igualmente, a roupa interior e as sandálias.

Prontificou-se a sair tão oculta quanto entrara mas… não o fez! Deitou sobre a cama as roupas escolhidas e encaminhou-se com um sorriso matreiro até à porta da sala de banho. Segurou o puxador e rodou-o. A porta abriu-se e ela espreitou. Se Miguel soubesse que observava as suas formas através da protecção de fibra do polibã, iria ficar em pânico. Só essa lembrança a divertia.

Entrou muito sorrateiramente e apanhou a escova de dentes. Foi nesse preciso momento que o rapaz abriu a protecção e expôs perante ela a sua tentadora nudez.

Em vez de se mostrar embaraçado Miguel esboçou um sorriso malicioso e ostentou-se!

Maria Madalena engoliu em seco. E foi ela quem ficou acanhada. Virou a cara, puxou o lençol de banho e atirou-o para cima de Miguel.

O rapaz rodeou-a.

-Gosto de andar como vim ao mundo! – Disse com zombaria.

-Não estarás já demasiado crescidinho? – Sorriu-se Lena, voltando-lhe as costas.

O rapaz seguiu-a e pressionou levemente o seu corpo contra o da rapariga.

-Que fazes? – Perguntou ela num sussurro rouco.

-Shiu… - e Miguel inclinou-se roçando o seu rosto molhado pela nuca de Lena enquanto lhe saboreava a pele.

-Sabes a sal… - Lambeu-lhe o pescoço uma e outra vez e foi rodeando com os seus braços o tronco da rapariga.

Maria Madalena abandonou-se e foi deixando que os afagos de Miguel se tornassem cada vez mais ousados, enquanto crescia nela uma plenitude exuberante.

Perfeitamente controlado o rapaz passava as suas mãos para o interior da blusa branca e acariciava-lhe o ventre com uma delicadeza extrema. Subindo e descendo, em volta do umbigo, nos estreitos flancos e mais uma vez subindo, subindo… quase tocando-lhe os seios!

-Tenho que ir…

-Onde? – Sussurrava-lhe Miguel ao ouvido, continuando a explorá-la com deleite. Desapertando-lhe o botão dos calções e contornando com a ponta dos dedos a sua fina cintura.

Maria Madalena prendeu-lhe as mãos, procurando que ficassem quietas e não a atormentassem mais.

O rapaz deixou que apenas uma se entrelaçasse entre as dela, a outra desceu até às suas coxas desnudadas, roçando-lhe as formas e a suavidade da pele.

Maria Madalena fez querença de se voltar. Queria ficar de frente para ele e estreitar-se sobre o seu peito mas Miguel mostrou-se determinado em manter-se como estava e as suas mãos em total desatino foram buscando a repetição das formas e o contacto cálido da pele, contornando e ameigando, subindo, crescendo e elevando-se…até roçarem e amimarem as pontas erectas dos seios.

Miguel mostrava-se agora muito mais ofegante enquanto partes do seu ser se avolumavam!

A rapariga estremecia e mostrava-se disposta.

Num disparo de voluptuosidade contida, o rapaz encrespou-se, apertou os punhos e muito a custo abandonou o físico da rapariga:

-Porquê? Porque me é negado este deleite?! – Rosnou.

Maria Madalena voltou-se de vez e Miguel apressou-se a ficar de costas para ela!

-Olhos nos olhos…não! Não me poderia controlar! – Quase mendigou!

A rapariga acariciou-lhe o tronco e agora foi ela, ainda em desejo, que se apertou com força contra ele.

O rapaz debatia-se para não se entregar, segurando-lhe as mãos apertadas sobre o seu ventre musculado.

Maria Madalena saboreou-lhe a pele, lambendo-lhe aos poucos a parte detrás do tronco, seguindo-lhe o dorso e a forma apurada da estrutura óssea.

-Sabes a açúcar…! - Sussurrou a rapariga com meiguice.

Miguel esboçou um trejeito de riso e Lena aproveitou a quebra para libertar uma das mãos e deixá-la descer pelo ventre do rapaz.

Num impulso incontrolado, Miguel apertou-lha não lhe permitindo que a movesse em zona proibida!

Maria Madalena soltou um riso maroto!

-Deixai-me rainha… que este jogo é perigoso. – Ouviu-se Miguel proferir. – Quereis que nos surpreendam com a boca na botija!

-Siiimmm!

-Nãaaooo!

-Foste tu que começaste! – Disse a rapariga, continuando colada a ele e como não lhe chegava à nuca mantinha os lábios em derretidas carícias, entre a cintura e os ombros. Por vezes arrastava demoradamente a língua sobre a pele do rapaz e este vibrava de prazer! Num desses toques sentiu, abaixo da zona dos ombros, uma ligeira protuberância!

Desviou-se um pouco e quis senti-la com o tacto.

Miguel apercebendo-se de imediato da sua intenção. Retraiu-se, esticou-se e apanhou o lençol de banho, cobrindo-se com ele!

-Migueell…estás demorado?

A voz de Pedro Dias quebrou a envolvência. Lena desorientou-se e quis esconder-se.

Numa voz clara, ainda que embargada de emoção, Miguel respondeu:

-Estou mesmo de saída!

-Vá lá pá…estás pior que a noiva de Arraiolos!

-Vai…que em três segundos, apareço!

-Ok! Agora vou-me à outra noivinha! – Resmungou Pedro, afastando-se da porta. - Ó gentinha sem pressa! Estou prestes a definhar de fraqueza.

Miguel foi o primeiro a abandonar a sala de banho e Lena seguiu-o com rapidez.

-Porque não tomas banho aqui mesmo! – Disse-lhe o rapaz com aparente serenidade.

A rapariga olhou-o.

-Voltas a entrar comigo?

Miguel desviou o olhar.

-Ficamos por aqui! – Sentenciou.

Maria Madalena amuou. Pegou nas roupas e saiu porta afora com uma lágrima teimosa rasando-lhe a vista.